EP 172: Nós | Operação Fronteira

[É Nós Na Fita]

Jordan Peele, o diretor de Corra!, volta a usar o cinema de gênero para tratar de temas bem mais complexos. Nós (3:39), o destaque da semana, é tão bem arquitetado (e tem trazido um número tão grande de interpretações) que os varandeiros decidiram liberar os spoilers dessa vez. Por isso, aos que ainda não assistiram, cuidado!

Operação Fronteira (1:01:53), dirigido por JC Chandor (de Margin Call e Até o Fim), é uma das grandes apostas de 2019 da Netflix. Um filme de assalto, na selva sul-americana, com grande elenco e uma abordagem que tenta discutir temas sérios como ambição, ganância e laços de amizade. Ficou ou caiu da Varanda?

O Puxadinho da Varanda (1:18:26) vai desde o primeiro disco da Sigrid (cantora pop norueguesa) a filmes como o premiado em Cannes Girl e a nova comédia romântica com Ricardo Darin, Um Amor Inesperado. Cantinho do Ouvinte traz comentários dos últimos episódios. Bom podcast!

| Metavaranda |

NósUs| Jordan Peele | 80
Operação FronteiraTriple Frontier| JC Chandor | 35

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Chico Fireman @filmesdochico
Cris Lumi @crislumi
Michel Simões @michelsimoes
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Gravado na segunda, 25 de março, na varanda do Michel.

19 comentários sobre “EP 172: Nós | Operação Fronteira

  1. Olá varandeiros, tudo bem?

    Primeiramente, que voz linda Michel Simões, bem aveludada, esbelta. Continue assim. Brincadeira, desejo melhoras. Em segundo lugar, nunca me senti tão brasileira assistindo um filme tão americano. Escrevo num dia que o ocupante da cadeira de presidência deste país, ordenou comemorações ao golpe de 64. E no momento que acabamos de sair de uma das piores períodos eleitorais da nossa história. Que Atual! Me fez lembrar muito sobre isso. Ainda acho que esse filme parece um grande episódio do Além da Imaginação, até porque o Jordan Peele se inspirou em um dos episódios da série o “Mirror Image”. Isso pode explicar os problemas do desfecho. Como também há diversas referências do gênero de terror, até na forma da Lupita falar. Que por sinal, foi sua primeira grande interpretação. Ela deveria ganhar o Oscar por esse filme e não por 12 anos de escravidão. O que eu acho mais interessante no diretor é que ele usa várias referências clássicas do gênero para criar uma mitologia própria que no fundo está tentando explicar os nossos dias de hoje. E de forma explícita. Porque, afinal, Nós estamos vivendo esse mundo de ódio, de aniquilação do outro, de destruição afetiva generalizada. Um medo real. Vejo até elementos de Psicologia no filme, que explica por meio das suas teoria das projeções. E gente as duas Lupitas são horríveis não tem uma Lupita boa. Colocar uma família negra é uma grande representatividade. Pode contar nos dedos quantos atores negros tiveram grandes papéis em filmes de terror. Sem contar que geralmente os negros são os primeiros a morrer nesses tipos de filmes.

    – Tiago, considero Girl um pouco preconceituoso. Não gosto do fato de um homem interpretar uma personagem Trans. Complicado ao meu ver.

    – Já que estamos falando de MJ, vcs vão comentar o documentário do ano: Leaving Neverland.

    – Vamos fazer um episódios sobre filmes para ser ver com as mães em maio. Seria perfeito!!!

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    1. Ótimo o comentário sobre ‘Nós’, Gabriela. Adorei.

      Sobre ‘Girl’… Entendo o problema (e quem sou eu para questioná-lo?), mas vejo tanta franqueza no filme que não consegui me incomodar com isso. Ele trata o tema de uma maneira direta, básica, quase primária (mas acredito que no bom sentido). Ele dá luz àquela personagem… Achei comovente, nesse ponto.

      Abraço!

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  2. Em 2011, Fábio Assunção, em uma participação no programa Altas Horas, disse a um dos Fala Garoto: Quem são eles? Somos nós sem oportunidade!
    #peeleplagiaassunção
    *********************************************************************************************************************
    “O oposto do que eu sinto” é uma bonita frase Thiago, Parabéns!

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    1. Meus cumprimentosna todos da Varanda, eu achei uma das melhores conversas esta sobre “Nós”. Um belo filme que aliás deu ainda mais nó na cabeça depois das explicações do Chico. Mas no bom sentido. Vou rever o filme para tentar pescar mais. Ainda me surpreendo muito com o Jordan Peele, que transitou tão bem da comédia ao horror de uma forma absolutamente excepcional. Aliás, chuto que 70% ou até mais de diretores de cinema que estão em atividade há mais tempo que Peele não conseguem uma transição entre gêneros de forma tão eficiente.

      Observação: Adorei o easter egg de Michel criando uma nova voz para seu duplo no podcast. Brincadeiras a parte, melhoras e abraço a vocês.

      Curtido por 1 pessoa

  3. Olá…tudo bem? Olha gente fiquei com muitas interpretações sobre a ideia tão grandiosa que vocês estão tramando…Corra em Nós deve ser interessante já estou ansiosa ,mas enquanto isso….sobre o episódio que acabo de ouvir concordo no aspecto que Tiago coloca em relação a simplicidade de Corra !permitir que a trama seja melhor construída e trabalhada….enquanto que Nós virou uma saladinha de referências…ok ,ele provou que sabe trabalhar com muitas questões mas….o menos é mais na minha opinião…
    Eu também assisti Girl ,fiz questão pois amo a série Transparent são temas iguais mas histórias completamente diferentes …mas o filme peca na questão de ser feito por um ator sisgênero e me pareceu feito para agradar ao público não trans…até gostei, mas para um trans pode parecer raso demais…além disso a expressão corporal seria muito mais fidedigna sem falar na representatividade.
    Um grande abraço vocês são todos demais …não vou agradar a um só ..afinal estamos todos Hands Across Cinema na Varanda!!!!

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    1. Obrigado pelo comentário, Julia. Eu vejo ‘Corra!’ e ‘Nós’ como filmes com intenções e ambições muito diferentes. Gosto muito da maneira compacta como o ‘Corra!’ se desenrola, mas também admiro o quão amplo é o ‘Nós’. Entendo quem opte por um dos formatos mas, por mim, ambos têm seus encantos.

      Sobre ‘Girl’: como eu respondi anteriormente, entendo a reclamação sobre a escalação de um ator cis para interpretar uma personagem trans (talvez por isso a atuação não tenha sido tão reconhecida quanto, na minha opinião, merecia). Realmente, com uma atriz trans, teria sido um filme diferente. Com uma atriz trans e uma diretora trans, teria sido ainda mais diferente. Talvez, um filme melhor que esse (ainda não dá para saber, infelizmente). Mas, quando casos parecidos aparecem, sempre penso no exemplo de ‘Brokeback Mountain’, um drama sobre uma relação homossexual dirigido por um homem hétero e estrelado por atores héteros… Não dá para generalizar.

      Abraço!

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  4. Sobre o movimento “Hands Across America”, ocorrido em 1986, este não influenciou o evento “USA For Africa – We Are The World”, como foi dito na última edição do podcast.
    “USA For Africa – We Are The World” foi planejado por Quincy Jones, Michael Jackson e Lionel Richie em janeiro de 1985, sendo influenciado por evento semelhante ocorrido um ano antes, planejado por Bob Geldof, perpetrado por músicos britânicos e intitulado “Band Aid – Do They Know It’s Christmas?”. Estes eventos geraram, cada qual, um single/compacto com músicas cantadas por diversos nomes do rock e da música pop anglo-saxãs de então. A receita obtida com as vendas destes singles foram revertidas para projetos de ajuda aos famintos de alguns países africanos, principalmente a Etiópia. Mais tarde, os idealizadores destes dois eventos musicais realizaram o “Live Aid”.
    Me pergunto se o “Hands Across America” não teve um certo caráter crítico (e talvez conservador) em relação ao “We Are The World” e o “Live Aid”, no sentido de que já havia problemas o suficiente em casa (nos EUA) para se preocuparem em aferir doações e recursos para serem enviados a nações estrangeiras.

    Ainda sobre “Seven”, é dito em algum momento daquela edição do podcast que a história se passa em 1995 (mesmo ano de produção do filme), mas eu acho que não é possível fazer esta afirmação. A tecnologia existente no filme não condiz com a metade dos anos 1990. Aliás, eu só acho que a história não se passa nos anos 1970 por conta das referências a Star Wars e – principalmente – ao atentado ocorrido em 1981 contra o então presidente Ronald Reagan (me refiro ao momento em que o personagem interpretado por Brad Pitt diz que o serial killer que eles estão caçando é um maluquete que comete assassinatos apenas para chamar a atenção da atriz Jodie Foster).

    Abraços a todos que realizam o Cinema Na Varanda, parabéns pelo excelente trabalho e obrigado por estes ‘encontros’ semanais!

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    1. Obrigado pelo comentário! Pelo que li, o Hands Across America foi organizado pela mesma equipe do USA for Africa, mas posso estar enganado. Valeu pela correção.

      Sobre o Seven: ele não determina exatamente o ano, mas pra mim tá claro que não é um filme ambientado nos anos 70. A estética é setentista, mas o tempo da trama, não.

      Abraço

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  5. Olá, varandeiros! Acompanho vocês desde o episódio do Twin Peaks, justamente no qual também foi comentado sobre “Corra!”, filme do qual gosto bastante. Gostei muito da discussão da varanda sobre o filme “Nós”, mas senti falta da opinião de vocês sobre a forte presença da comédia na obra do Jordan Peele. Confesso que em alguns momentos fiquei incomodado com a mudança muito rápida da tensão do terror para a leveza da comédia; paradoxalmente, em outros momentos curti bastante (a cena do Fuck Tha Police é divertidíssima). Acho que a comédia no Corra! acontece de forma mais orgânica e as mudanças de tom são menos bruscas, mas preciso rever os dois filmes.

    Abraços e parabéns pelo trabalho!

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      1. Estou em São Paulo e voltando hoje para Belém. Vim para o show do Paul.

        Sobre o filme, eu gostei, porém, acho inferior a “Corra”.

        Incomoda-me muito a valorização do subtexto na análise do filme e a pouca valorização da estética e da narrativa imagética.

        Ao mesmo tempo que incomoda-me o excesso de valorização das músicas (também pela crítica) em detrimento da imagem-narrativa, numa diegese nada sútil.

        Achei o subtexto óbvio e é explicado ao longo do filme Nx (a primeira cena do filme já coloca o subtexto em primeiro plano) até chegar na sala de aula (ápice da explicação nolesca).

        A virada do filme é um tanto quanto óbvia, ainda que tenha visto muito serem surpreendidos com o desfecho.

        Bem, talvez eu esteja sendo duro demais… Uma coisa, admiro Peele só pelo fato dele fazer o novo… É um respiro nesse mundo de repeteco e mais do mesmo.

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  6. Um comentário para cobrir a lacuna de comentários sobre Operação Fronteira…
    Filme chato não merece comentário… rs
    um abraço
    L

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  7. Olá amigos varandeiros! Só assisti “Nós” ontem (com 2 filhos pequenos, tem sido difícil ir ao cinema, ainda vem que existe streaming!), daí meu comentário atrasado! Duas observações:
    1) Chico disse que não entendeu a cena do fresbee. O fresbee é o escudo do Capitã América! E ele cai exatamente em cima do que seria uma sombra esférica na toalha branca. É uma alegoria para a américa tem, de baixo de si, uma sombra.
    2) A Lupita má (ou boa? Já não sei mais qual é qual… rs) tem aquela voz rouca não porque enlouqueceu, mas porque quando atacada pela sua contraparte, teve sua garganta estrangulada danificando de forma permanente as cordas vocais.

    No mais… que filme, senhores, que filme!!

    Abraços!

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