EP 232: Honeyland | Melhores documentários dos anos 2000

[Como É Doce o Mel Quando vem da Macedônia do Norte]

Chegou a vez dos documentários: o ponto de partida do episódio desta semana é o lançamento de Honeyland nos streamings. Com suas 2 indicações ao Oscar, o filme traz discussões sobre os limites entre o registro direto da natureza e situações encenadas, além de retratar o ofício de uma modesta apicultora.

E quais seriam os melhores documentários (29:48) dos anos 2000? Quais são os formatos fora do padrão? Quais são as interferências, abordagens e marcas de autoria? Preparem-se para anotar uma listinha de grandes docs dos últimos 20 anos.

No Momento Belas Artes à La Carte, destacamos um importante documentário de Joris Ivens. No Puxadinho da Varanda, alguns destaques da carreira de Michel Piccoli e filmes de Alain Resnais dos anos 80. E, no Cantinho do Ouvinte, os comentários dos varandeiros sobre o episódio anterior (no finalzinho tem até um rápido debate sobre alguns filmes do Krzysztof Kieslowski). Bom podcast!

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Chico Fireman @filmesdochico

Cris Lumi @crislumi
Michel Simões @michelsimoes
Tiago Faria @superoito

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Gravado na segunda, 18 de maio, via internet.

7 comentários sobre “EP 232: Honeyland | Melhores documentários dos anos 2000

  1. Fala pessoal da varanda, comecei na cultura do podcast a pouco tempo e gosto bastante do conteúdo e dos debates que vocês entregam. Gostaria de ouvir vocês falarem a respeito dos curtas-metragens, desde os clássicos indispensáveis, aos seus favoritos…

    att. victor

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  2. Eu gosto do cinema por aquilo que ele nos faz ensinar, divertir, entreter, mas para mim o que é predominante e o que mais me atrai na arte do cinema é quando ele me faz sentir. Minha formação acadêmica/profissional (engenharia/bancário) tem a tendência de me fazer acreditar mais no racional, no exchel (como diriam os varandeiros!), naquilo que é explicável, e talvez seja justamente a tentativa de equilíbrio que me faz apreciar tanto as artes, especialmente o cinema.
    Para curtir um filme eu sigo um ritual que aperfeiçoei com o passar do tempo – a prática corriqueira de assistir filmes começou tarde para mim, e somente depois dos vinte e poucos que eu fui me aprofundando mais, e hoje perto dos quarenta é sem dúvidas o meu despressurizador favorito, disparado – e tal ritual tem um princípio básico: tentar obter o mínimo de informações possíveis sobre um filme que eu vou assistir, de modo que não vejo trailers, sinopse, vídeo, enfim, necas.
    Descobri que desta forma eu consigo me surpreender mais – e sentir mais, consequentemente – as vezes negativamente (muitas vezes), outras, contudo, compensam por serem extremamente positivas. Quase totalmente despido de preconceitos pelo fato de não conhecer quase nada sobre o filme, consigo me surpreender com coisas que não estavam programadas, ou que não estavam no objetivo de quem produziu os filmes.
    Bom, para conseguir transitar por este mundão gigantesco dos filmes usando uma venda eu tenho que minimamente confiar em algumas pessoas que também curtem o cinema, e que estatisticamente (kkk) se alinham com os filmes que eu costumo gostar. Descobri que acompanhar fontes que tenham uma curadoria além do interesse comercial era uma boa saída: festivais de cinema nacionais e internacionais; podcasts; programas de rádio; revistas especializadas; funcionários de grandes locadoras; atualmente serviços de streaming com uma curadoria mínima (Belas Artes, Mubi, Cine Passeio), enfim, as fontes atualmente são inúmeras e a partir de uma indicação, de um filme gostado, vai-se puxando o fio do diretor, do responsável pela fotografia, pela trilha, dos atores, e pronto, tá feito a cinefilia.
    Neste fluxo, o Cinema na Varanda entrou com força: descobri vocês por causa da Mostra de SP (sou de Curitiba), e acho que foi em 2017 enquanto buscava podcasts sobre a Mostra, e não larguei mais. Hoje eu assisto aos filmes antes de ouvir aos episódios, e uma coisa que me surpreende é que quase sempre eu assisto aos filmes que virão a ser comentados antes mesmo do anúncio de vocês, ou seja, nossos interesses por cinema parecem estar alinhados.
    Voltando ao que considero o cerne: o sentir. Aprecio as artes por aquilo que elas me fazem sentir, e acho que este sentir faz movimentos internos (não sei como explicar isso) que me tornam mais sensível ao mundo real, me abrem a consciência para outras realidades, para outras culturas. Acho que realmente é mais ou menos isso: a arte estimula os meus sentidos, que fazem com que eu me torne mais capaz de perceber as coisas além do racional. Talvez seja essa uma explicação para minha visão mais humana.
    Neste sentido também descobri que tenho um ritual, neste caso bem menos organizado que aquele de buscar de filmes, mas que tem o mesmo objetivo intangível de sentir: eu decidi não querer entender o cinema tecnicamente. Isso foi racional. Obviamente que não é possível ignorar os aspectos técnicos de uma produção, especialmente quando se assiste a tantos filmes e também se obtém tantas informações na mídia especializada, mas decidi não priorizar esse entendimento.
    Certamente que por algo parecido com a osmose eu vou assimilando, mas definitivamente evito tentar enquadrar a arte como sendo uma técnica (apesar de ser fortemente). O princípio que uso é que se eu me preocupar com a técnica, talvez eu não consiga ser sensibilizado. Contudo, percebi que normalmente quando a técnica salta aos olhos é justamente quando o filme não funciona para mim, daí percebo uma trilha sonora mal usada, ou uma interpretação ruim, um efeito especial mal acabado, uma edição ruim, enfim, fico até triste quando isso acontece, pois percebo que o meu olhar foi desviado e que aquele filme não vai rolar como deveria.
    Neste texto estou tentando deixar de lado uma importante técnica usada pelos críticos de cinema (pelo menos até onde eu consigo perceber), que é o de rechear de referências cinematográficas quando se escreve um texto. Sei que isso é legal, e sem dúvidas esta é uma das amarrações mais importantes de uma crítica, mas acreditam que até isso eu acho chato? Prefiro me treinar para tentar me envolver cada vez mais com o filme, evitando de ficar me poluindo com referências enquanto assisto (obviamente que sei que isso pode ser feito pós-filme, mas sei lá, realmente acho chato). Mas este não é assunto principal.
    Me inspirei em fazer esta reflexão para vocês depois de ter ouvido o episódio e ter assistido ao principal filme comentado na edição 232 do podcast, o “Honeyland”. O filme me pegou de jeito, e eu já desconfiava que isso aconteceria lá no começo do ano, na cobertura do Oscar, e por isso eu tinha evitado de assisti-lo, mas depois que ele surgiu aqui na varanda eu não consegui mais repeli-lo. A culpa foi de vocês.
    Eu evitei, pois previ que o sentimento que brotaria em mim seria o da tristeza, e batata: fui aturdido! Especialmente pela história da relação da mãe doente e da filha, e que por ser um documentário, fiquei profundamente chocado e sensibilizado de como aquela relação ocorria, como era sofrida, como era triste, enfim, novamente agora quando lembro fico profundamente triste. Além disso, me chocou muito ver a reação esperançosa da personagem principal, da forma positiva e alegre que ela encarava a vida, mesmo em meio a toda aquela dificuldade. Foi sensacional!
    Para mim, acho que toda a técnica empregada no filme foi direcionada para que sentíssemos o que se passava dentro daquele quarto, de um jeito que conseguíssemos perceber o que aquela filha pensava, o que sentia. A beleza externa do mel, das abelhas, das colmeias, da localidade, refletia naquela mulher que ajudava a mãe doente. O caminhar daquela colhedora de mel, relacionando-se com as pessoas no mercado e relacionando-se com a natureza, preparavam ela para cuidar da melhor forma possível da mãe doente. Ela sentia experiências fora daquele quarto, que a preparavam para viver lá dentro, mutuamente ajudando e sendo ajudada por aquela senhora doente.
    O conflito gerado pela chegada daquela família, também extremamente desestruturada e cheia de problemas, preparou aquela mulher para aquilo que viria a acontecer dentro daquele quarto. Perdas, conflitos, soluções, artimanhas, exercício de empatia e carinho, enfim, tudo foi usado por ela para conseguir superar o que ocorria e o que viria a ocorrer dentro daquele quarto.
    Obviamente que este foi o meu ponto de vista. Para mim, o filme é daquelas duas mulheres, e tudo converge lá para dentro daquele quarto. E isso me pegou forte. Não sei explicar o motivo, talvez eu não esteja preparado para uma perda de um familiar tão querido; talvez eu não esteja preparado para superar dificuldades provenientes do mundo externo; talvez eu não esteja preparado para observar as sutilezas da vida, não priorizando as dificuldades, e ignorando o belo, o sútil. Sei lá… Não sei os motivos que me atordoaram tanto, mas sei de uma coisa: foi através da arte, do cinema, que pude sentir e refletir tudo isso.
    Seria muito incoerente com este meu discurso se eu dissesse aqui que simplesmente eu discordei da análise que vocês fizeram, com ponderação positiva para a análise mais sensitiva do Michel. Na verdade, eu discordo mesmo, pois acho que a falha técnica que foi apontada – documentário X manipulação, para resumir – não supera aquilo que foi dito, mostrado no filme, tal como quis tentar explicar no texto acima.
    Seria realmente incoerente não entender, apesar de discordar, que o ato de sentir – valor que eu insistentemente venho valorizando neste texto – é certamente sentido de uma forma muito diferente em cada pessoa, que e é fruto de realidades com elementos variáveis infindáveis e incomensuráveis, próprios de cada um.
    Enfim, curto muito o programa de vocês, e obrigado por serem uma das mais importantes fontes que alimentam um dos meus prazeres favoritos, que é curtir o cinema.

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  3. Ola! Não sei se existia alguma regra nesse episódio sobre séries documentais, já que nenhuma foi citada. Gosto muito de Making a Murdrer da Netflix e The Jinx da HBO, além de séries sobre a Segunda Guerra, como Hitler: Circle of Evil, Five Came Back e Grandes Eventos da Segunda Guerra em Cores. Essa última, aliás,é um dos melhores documentários que eu já vi. Pena ter sido pouco divulgado pela Netflix. Recomendo muito.
    Abraço à todos.

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  4. Varandeiros, delicioso episódio!!! Vocês acham que podemos dizer que é a era de ouro dos documentários??? Não só pela quantidade, mas também por mais canais de distribuição e muitos bons documentários? Mesmo que os streaming coloquem muitos produtos documentais ruins, penso que também dão chance de ver muitos produtos interessantes , que dificilmente teríamos acesso.

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  5. Boa tarde, pessoal! Adoro o trabalho de vocês e gostaria de sugerir 2 pautas para futuros podcasts de vocês, que são:
    – Principais Movimentos Cinematográficos, contando um pouco a história de movimentos como Dogma 95 e Nouvelle Vague, por exemplo, destacando os principais expoentes e obras que os representam.
    – Filmes Inovadores, falando sobre longas que foram inovações em algum sentido para sua época, seja no uso de alguma tecnologia, técnica de filmagem, enredo, etc.

    Seria muito interessante ver a visão desses 2 grandes temas.
    Grande abraço!

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  6. Pessoal, dá pra dar una puxada na orelha atrasada? 😅
    Ótimo programa como sempre, mas como vocês me fazem um episódio sobre documentários sem citar nada do Errol Morris? (Ou vocês já falaram sobre ele em algum dos programas? Se for o caso peço desculpas desde já)

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