EP 185: 1999, parte 3: Top 5 e Magnólia

[1999 – Tá Chovendo Sapos]

No episódio final da nossa série sobre o ano de 1999, o destaque é o filme que os ouvintes do Cinema na Varanda trouxeram para o debate: ‘Magnólia’, de Paul Thomas Anderson, foi o escolhido para representar uma época que marcou a cinefilia dos varandeiros. O filme, é claro, foi revisto por todos os participantes do podcast – com resultados reveladores.

Além da revisão, temos ranking! Quais são os melhores filmes de 1999? Além das listas individuais, temos o top 5 da Varanda. Bom podcast!

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Gravado na segunda, 3 de junho, na varanda do Michel.

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4 comentários sobre “EP 185: 1999, parte 3: Top 5 e Magnólia

  1. Olá, Caros companheiros de longa madrugada!

    Choveu sapos em minha vida… e não foi em 1999

    Magnólia é o filme número 1 da minha vida (pensaram que era E.T.? hahaha). Tudo começou no inicio dos anos 2000 – infelizmente não pude ver magnólia no cinema em 1999 pois nesta data nunca tinha pisado numa sala de cinema (isso aconteceu somente em 2003 – quando fui ao cinema pela primeira vez). Eu já era apaixonado por filmes, todo final de semana ia na videolocadora do meu bairro com uns trocados que ganhava do meu pai. E foi assim que assisti O Sexto Sentido, e outros filmes de 1999. Mas foi naquela mesma locadora, que encontrei aquele tesouro perdido, talvez na última prateleira, empoeirado e sem nenhum destaque, quase que como num chamado divino, só vi uma flor na capa, a tal da magnólia e a capa toda preta, com os nomes dos atores. O que me chamou também atenção era que aquele filme era dividido em 2 fitas (VHS) – era um verdadeiro tijolo, levei para o balcão convicto que levaria aquele filme sem ao menos saber do que se tratava, e fui falar pra moça o que ela achava do filme. Ela simplesmente olhou para minha cara e disse – Olha acho que você não vai gostar muito desse filme, ele é bem pesado e longo. (foram essas a recomendação da balconista) Eu simplesmente por algum motivo que nem eu mesmo sabia resolvi encarar o destino e levei o filme. Detalhe: tinha apenas 11 anos de idade.

    Minha mãe torceu o nariz quando mostrei o filme que aluguei, meu pai como sempre, ninguém quis ver o filme comigo. Me sentir solitário com aquele filme na mão. E resolvi assistir sozinho, de manhã cedo, quando todos ainda estavam dormindo. E foi o suficiente para mudar toda minha vida. Até então não tinha visto nada parecido, sorte a minha eu assisti sozinho porque tinha umas cenas de sexo logo no começo do filme, que com certeza se meus pais vissem iam me proibir de ver-lo. Minha cabeça explodiu, eu fiquei fascinado pelo filme, pela história, pela música, e principalmente a forma como aquilo tudo era contado. A chuva de sapo então nem se fale, eu acho que foi ali que descobri o orgasmo (no sentido de ser um cinéfilo).

    Hoje tenho 30 anos. Desde da primeira vez que assisti, conto mais de 20 vezes assistidos, sei as falas de cabeça, as cenas, passei anos pesquisando tudo que é possível a respeito do filme e ouvir vários outros podcasts e programas que falam sobre este filme. Foi o filme que me fez virar cinéfilo, que me fez ser quem eu sou hoje, que me formou com um olhar diferenciado e me trouxe uma luz onde só existia escuridão.

    Quando ouvi vocês falando sobre, lógico que eu esperava um especial de 1 hora e meia. Mas nem sempre as expectativas são correspondidas. Fiquei com várias questões que necessito de respostas de pessoas que são especialistas em cinema e que admiro como vocês.

    1. O filme envelheceu bem ao longo desses 20 anos ou ficou apenas como um retrato daquela virada de século?

    2. O personagem de Tom Cruise é um cara altamente tóxico, chegando a ser misógino em relação as mulheres, é um personagem inaceitável nos dias de hoje. Como vocês enxergam ele?

    3. Prestaram atenção no personagem do menino Rap? Repare como ele costura algumas situações dando dicas de um possível futuro e de como aquilo pode afetar o universo daqueles personagens. Quando a arma do policial some, é o menino que acha e a mesma arma cai do céu ao final do filme. Na opinião de vocês seria alguma metáfora com anjos? Com o divino agindo sobre uma forma humana, ali representada por uma criança pobre que também sofre algum tipo de abuso? (ele é o mesmo que entra no carro da Julianne Moore depois dela tomar todos os remédios e liga pra ambulância e ao mesmo tempo rouba algum dinheiro dela)

    4. A metáfora da chuva de sapos está correta pelo que Michel Simões, falou o número 82 aparece mais 10 vezes ao longo do filme, alguns explicitas outras não, uma delas é quando na plateia do programa “Do que as crianças sabem?” uma senhora levanta com a placa Exodus 8;2 e logo vem um segurança e toma da mão dela. Antes do primeiro sapo cair no para-brisa do carro do policial, ele passa por um outdoor com a menção Exodus 8;2 – e incrivelmente todas as passagens de tempo quando mostram a temperatura é sempre o número 8:2. Vocês acham que diante de todas essas mensagens ainda sim, o filme perde o controle do que exatamente ele quer contar?

    5. Reparam que em quase todas as casas dos personagens tem um quadro com uma flor e estamos falando da Flor “magnólia”. O que me impressiona é que mesmo antes da chuva de sapo cair, o personagem do garoto prodígio estava numa biblioteca lendo livro sobre furacões, tempestades e coisas estranhas que as tempestades trazem. OU seja, tudo estava lincado de alguma forma, e a chuva de sapo não seria uma mera coincidência, ou sim seria, já que o filme fala sobre coincidências a todo instante.

    Poderia escrever um livro falando sobre este filme que amo tanto, e dividir com vocês. Eu apesar de tudo não acho perfeito, acho um pouco cansativo principalmente o monologo do moribundo. Mas a cada vez que assisto descubra mais coisas, me emociono de maneiras diferentes e apresento pro maior número de pessoas que eu puder.

    Porque no final das contas um garoto de 11 anos que entra numa locadora e decidi levar este filme pra casa, seria coincidência? Destino? Um fato divino? hahaha

    “Acontece, isso sempre acontece”

    Abraços,

    Ricardo Rocha

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    1. Que legal que este grande filme te despertou para a cinefilia, eu tive a possibilidade de assisti-lo no cinema na época do seu lançamento e seu diretor é um dos que mais admiro no cinema atual. A cena da chuva de sapos é inspirada nos fenômenos descritos pelo escritor e pesquisador Charles Fort, tendo ocorrido em Birmingham em 30 de junho de 1892. O filme tem forte influência do ocultismo em sua concepção.

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  2. Gente, parabéns e muito obrigado por essa série de programas sobre 1999. Vocês merecem um prêmio por esse trabalho. Sinto que a maioria dos veículos que falam de cinema abordariam ou os filmes mais populares ou os mais “cult”, mas só vocês conseguem fazer um retrato tão completo, falando de festivais, premiações, e blockbusters; de Hollywood e do resto do mundo… tudo isso com a perspectiva pessoal, plural e despretensiosa que vocês tem.

    Em 1999 fui pela primeira vez ao cinema (que eu me lembre), para ver Tarzan. Não revejo o filme há quase 20 anos, mas lembro que na época eu fiquei muito emocionado com a morte do pai gorilão no final. Os outros filmes que vocês mencionaram fui vendo aos poucos desde então.

    A única coisa que eu poderia dizer que “faltou” foi uma menção honrosa a The Sopranos, que também estreou em 1999 e marcou de diferentes maneiras não só a televisão mas, por tabela, o cinema também.

    Abraço!

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  3. Olá, Michel, Chico, Tiago e Cris. Enviei e-mail para vocês sobre uma entrevista para minha monografia com o tema que relaciona a crítica de cinema e podcasts brasileiros. Vocês chegaram a ver? Gostaria muito que participassem, já que a visão de quem produz é muito importante para o trabalho. Sobre a trilogia de episódios sobre 99, amei! Bem diferente de muitos conteúdos sobre cinema e imperdível para cinéfilos.

    Já agradeço! Até.

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