EP 163: Indicados ao Oscar 2019 | Vidro | Cafarnaum

[Oscar: Agradando a Gregos e Romanos]

Foram anunciados os indicados ao Oscar 2019 (1:15) e a Varanda debate todos os destaques, os esquecidos, as surpresas, as tendências, além de tentar entender a Academia e adivinhar os favoritos.

M. Night Shyamalan está de volta com o aguardado Vidro (44:05), a inesperada trilogia, o filme de super-herói fora do padrão e, como todo bom filme do diretor indiano, com um plot twist nos minutos finais. Tanta polêmica nas redes sociais, será que ele ficou ou caiu da varanda?

E o recém indicado a Melhor Filme Estrangeiro, Cafarnaum (1:15:27) da diretora Nadine Labaki é um exemplo do filme-denuncia sobre a miséria. O cinema social pede passagem.

No Puxadinho da Varanda (1:36:51) destaque para o filme brasileiro Temporada, e a animação Como Treinar Seu Dragão 3 e o documentário FYRE. Cantinho do Ouvinte com os comentários dos ouvintes sobre o último episódio. Bom podcast!

| Metavaranda |

Vidro| Glass | M.Night Shyamalan| 63
CafarnaumCapharnaüm | Nadine Labaki | 53

| Varandeiros |

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Gravado na terça, 22 de janeiro, na varanda do Michel.

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26 comentários sobre “EP 163: Indicados ao Oscar 2019 | Vidro | Cafarnaum

  1. TMJ Chico!!! Ninguém larga a mão de ninguém!
    #Shyresistência

    Agora falando sério… Vidro é uma obra com todas as virtudes de Shyamalan e, também, com todos os seus defeitos; como admirador do cinema como arte, acho isso lindo demais o risco assumido pelo diretor indiano. Risco este que faz de Vidro uma antítese aos filmes da Marvel e DC (mesmo os de Nolan), sendo, por isto, uma obra fora do quadrado dos filmes de heróis e vilões. Em vidro não se busca grandeza ou o espetáculo, como ocorre em Vingadores ou Batman, não por acaso, a luta final se dá num estacionamento. O que Vidro fala, basicamente, se é que podemos dizer isso, é sobre as incertezas da natureza humana, sobre as incertezas dentro das certezas, sobre a invenção dos mitos e, com os mitos, a invenção da realidade-fantasia (para Shy fantasia e realidade pertencem a mesma face da moeda).

    Grande filme!

    Tiago e Michel, vocês perderam pontos comigo 😦
    PS.: Início do ano está sendo pobre em Belém, em termos de filmes.

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  2. Posso estar viajando, mas consegui enxergar duas academias dentro do Oscar. Uma nova, querendo sair do lugar comum, provavelmente resultado dos seus novos membros, e a antiga, que continua com sua mesma visão de mundo e de cinema. De um lado temos indicação de Pantera Negra (fruto da não indicação de Cavaleiro das Trevas, em um tempo de reação da academia comparável a duração de um filme do Lav Diaz), e um filme de streaming, em P&B, falado em espanhol, que talvez seja o favorito. Surpreendente. Mas ao mesmo tempo temos uma cinebiografia qualquer nota e um filme que (ao que os comentários indicam, eu ainda não vi) contemporiza racismo. Engraçado também notar que 29 anos depois de Conduzindo Miss Daisy ganhar e Faça a Coisa Certa ser esnobado nas categorias principais um filme que faça referência a Miss Daisy concorra com um filme de Spike Lee. É quase como se abrisse espaço ao “diferente”, mas o velho ainda mantivesse o seu.

    Ao contrário do que boa parte dos especialistas estão prevendo, acredito que dê Cuarón em direção e Infiltrado na Klan como melhor filme. É impressionante como o Oscar consegue compreender a importância de um tema, mas não consegue premiar o artista. Aconteceu a mesma coisa com os últimos filmes “blacks” (Moonlight e 12 anos de Escravidão), o filme saiu premiado num reconhecimento da importância e delicadeza da temática, mas seus realizadores não. Querem o rosto negro, mas não o olhar negro. Nesse ano, se seguirem o mesmo padrão, vão matar dois coelhos com uma cajadada só. Evitam que o filme favorito saia sem um dos prêmios principais, ao reconhecer (mais uma vez) o trabalho do Cuarón e por tabela escapam de ter que premiar a Netflix com a estatueta de melhor filme.

    Apesar de quase nunca comentar, sempre escuto o podcast de vocês. Obrigado pelo excelente trabalho!
    Abs.

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    1. Excelente análise, Vitor. Concordo com essa observação de que há “duas Academias”, uma mais conservadora e outra mais progressista. Não sei se, como o passar do tempo, esse lado progressista superará o conservador (a tendência é que sim), mas acredito que, para o bem da diversidade, a existência dessa variedade de pontos de vista pode ser interessante, por enquanto.

      Abraço!

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  3. olá Varandeiros
    uma provocação…
    bohemian rhapsody é um filme horrível (que acerta na sua sequência final ao reproduzir completamente um show da banda) mas é muito, mas Muito melhor que O Destino de uma Nação que concorreu o ano passado… (lion então de 2016 eu nem quis ver – valeu pela dica Varanda…)
    Por que tanta repercução negativa sobre Bohemian Rhapsody no oscar?
    Não tem sempre um filme ruim (mas bem ruim mesmo) na lista do oscar? (olhando por esse aspecto bohemian rhapsody nem é tem fraco…)
    Fica uma sugestão para a semana que estrear o novo transformers ou o novo piratas do caribe – piores filmes que já foram indicados ao Oscar…)
    um grande Abraço
    L

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  4. Nessa edição do Oscar, os dois filmes recordistas em indicações são protagonizados por mulheres. Isso não acontece com frequência, né? Achei um ponto super positivo!
    Acredito que a Academia reconhecerá todo o trabalho do Spike Lee através do Oscar de melhor roteiro adaptado, não de direção. O único porém é o fato de Spike dividir a autoria do roteiro com mais 3 pessoas…

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  5. Como me citaram, me senti obrigado a vir aqui comentar heheh

    Eu concordo com o que o Chico diz sobre o Shyamalan estar lidando melhor com as críticas negativas, mais focado em fazer o trabalho dele e tudo mais, mas ao mesmo tempo acredito que desde A Dama na Água os filmes dele desenvolveram algo como um mecanismo de defesa automático. São filmes que, no meio de todas as temáticas importantes pro cineasta, sempre encontram uma forma de introduzir algum tipo de reflexão sobre isso. Essa falta de sutileza de alguns momentos de seus filmes sempre me parecem uma provocação, como se ele dissesse “tô há 20 anos falando sobre essas mesmas coisas e ainda tem gente que não entendeu?” hahah

    Acho que o Tiago já disse algo parecido num podcast, embora eu não me lembre das palavras exatas dele, mas gosto de acreditar que existem (pelo menos?) 2 tipos de obras-primas: aquelas redondinhas e perfeitas, filmes que parecem muito bem acabados em todos os mínimos detalhes (como… Cidadão Kane*, por exemplo?); e as transgressoras, que não almejam e praticamente se orgulham de suas imperfeições (os filmes mais radicais do Godard?). Acho que os filmes do Shyamalan pertencem ao segundo grupo, pois ele me parece um cineasta muito mais interessado em desenvolver suas ideias “do seu jeito” do que representá-las de forma mais tradicional. Creio que as imperfeições de seus filmes sejam justamente o que faz deles algo tão especial, e sinceramente não duvido que muitos pequenos problemas de “acabamento” sejam propositais: afinal, não faria sentido para um cineasta que versa sobre a fé na ficção buscar a manutenção de um pacto de crença espectador-filme colocando o próprio filme sob questionamento? Nunca me esqueço de uma cena de A Vila que acontece logo após uma das revelações do filme e praticamente contradiz o que é dito poucos minutos antes. Acho uma cena muito especial justamente por questionar sua percepção, sua fé, sua relação com o filme.

    No caso de Vidro o mecanismo de defesa é a própria personagem da Sarah Paulson, que nada mais é do que uma versão mais trabalhada – e madura? – do crítico de A Dama na Água (ou do Christopher Nolan, rs). Entendo que nem todo mundo vá encarar Vidro como a obra-prima que eu acredito que seja, e entendo também que ele pode parecer meio desconjuntado: acho que os detratores do filme vão enxergá-lo quase como um Batman vs Superman (pelo menos os que não gostam do filme do Zack Snyder), enquanto os fãs vão enxergar praticamente como tudo o que BvS queria ser, rs.

    Eu queria muito falar sobre o filme em mais detalhes, mas sei que criou-se essa aura de “surpresa” em torno de todos os filmes do Shya – o que eu acho engraçado, já que não vejo muitos plot-twists de fato nos filmes dele*, mas enfim… –, então prefiro não comentar muito porque tenho medo de falar demais. Mas adorei a discussão sobre o filme! E sinceramente não sei se Vidro realmente é um projeto planejado desde a época do Corpo Fechado, só sei que ele foi lançado no timing perfeito: no último ano de uma década que representou esse boom dos filmes de super-heróis. Veio em boa hora por subverter algumas coisas dessa temática – numa vibe meio Twin Peaks: O Retorno? –, sendo épico ao mesmo tempo em que evita deixar o tão aguardado conflito tão épico quanto promete.

    Outra coisa: eu não sou o maior fã de O Último Mestre do Ar e nem de Depois da Terra, mas acho dois filmes bem dignos (o primeiro é quase um filme do Tsui Hark hahah). Conheço gente que gosta muito mais do que eu e tal. Mas o que acho interessante neles é o mesmo que vejo em, por exemplo, Destino de Júpiter das Wachowski: são exemplos de blockbusters muito esquisitos, com uma marca autoral muito forte (mesmo que o Shya não tenha conseguido fazer 100% do que queria por motivos óbvios) e que eu sinceramente acho que estão mais ou menos no mesmo nível da maioria dos blockbusters do tipo que fazem sucesso por aí, como os filmes da Marvel. O diferencial, o que me faz admirar ainda mais esses filmes é justamente acreditar que eles são bem mais arriscados do que a média dos blockbusters.

    * acho que Orson Welles na verdade é um dos maiores transgressores do cinema, e que Cidadão Kane também é de alguma forma justamente por toda a inovação que trouxe, mas citei o filme como exemplo de “obra-prima redondinha” porque provavelmente é um dos primeiros títulos que vem à cabeça quando se fala de um filme perfeitinho, bem acabado e tal.

    Acho que eu tinha mais coisa pra falar, mas vou ficar por aqui dessa vez. Mais uma vez parabéns pelo podcast 🙂

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  6. Olá, meus queridos varandeiros.
    Shyamalan sempre me passou a ideia de um cara que não consegue lidar com o próprio hype, nem com a própria biografia. Já vi algumas entrevistas em que ele parecia estar falando como também estivesse se vendo da platéia e chorando com sua própria genialidade. Não vi o Vidro e provavelmente vou quebrar a cara nele (tum-dum-tsss). De qualquer forma, achei essa continuação apressada demais, e a fragilidade disso estava estampada no trailer. Os três juntos num hospício, que coisa mais fanfic! Outra coisa desnecessária é esse conceito de colocar cor pra personagem. Que cafonice! Deixem isso pro Maurício de Souza.
    Quanto ao Oscar:
    Essas indicações podem explodir a qualquer momento!
    Pantera Negra? Sério? É o melhor filme? Nasce uma Estrela, minha patota? Lady Gaga chorando foi o nosso melhor? Como raça humana, digo. E o Cuarón? Só me convence botando a empregada lá no espaço! Isso sim. E junto com o Ryan Borsling. Não aceito menos do que isso. (Pior que eu quase chorei em Roma. (Hipocrisia))
    Lança logo o Oscar de melhor tema e pronto…Melhor Tema mais engajado. Melhor Netflix! Enveredando por essa, o Oscar poderia ser, então, uma terapia midiática para convencer os mais incautos de que cultura e arte são a mesmíssima coisa? Mas o problema é que não só ele fracassou, mas fracassamos todos. Mas o outro problema é que em alguns instantes da vida, cultura e arte são mesmo uma trolha só mesmo, não tem jeito. Eu, da minha parte, me sinto um abençoado quando percebo uma mulher que ao fim da tarde, ali na 7 de abril, troca um salto alto por um chinelo. Só pra ilustrar.
    Mas quedê o First Reformed? Cadê aquele outro filme lá que eu esqueci?
    E o Willem Dafoe? Nem merece um Oscar, minha patota, tem é que banhar ele a ouro logo. Sem massagem.
    E o Queen pode ganhar de melhor filme, viu? Já pensou, Chico? Já pensou, Cris? Melhor quebrar ele em dois logo não? Metade vai pro Green Book e Metade pra O Veredito em 83.
    Chega. Abs.

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    1. Marduk melhor comentarista! hahahahaha! Tô começando a achar que é pseudônimo de um de vcs pra colocar o lado Zé Simão pra fora. Será o Chico? A Cris? Todos juntos? Tem que convidar o cara para gravar um comentário em áudio para os próximos episódios! heheheheh

      Abraços a todos!

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  7. Olá varandeiros. Só queria chamar a atenção que o produtor de Green Book que tuitou a favor do Trump é também o filho do Tony Lip, representando pelo Viggo Mortensen.

    Abraço

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  8. Tenho a impressão que Vice é o Destino de uma nação desse ano. Filme biográfico sobre um político careca, gordo e de óculos, com atores principais que participaram da trilogia do Batman do Nolan. São muitas coincidências, não dá para arriscar ver esse filme

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  9. Olá, varandeiros!

    Excelente episódio, os comentários sobre o Oscar e sobre os filmes me ajudaram muito a pensar a respeito dos dois (ou três) temas.

    Sobre Vidro: assisti ontem e gostei muito. Não sou especialmente fã do Shyamalan, mas achei que o filme funciona muito bem. Vi nele um caráter lúdico semelhante ao de Aranha-Verso (embora mais pretensioso), o que pode apontar para uma renovação no gênero de super-heróis, ainda mais tendo em vista o fim da saga Vingadores. As conexões metalinguísticas com os quadrinhos entram nesse “jogo”, e a fotografia pra mim é digna de destaque. Também gosto muito como o Shya faz sua versão “realista” de super-heróis, de um jeito que assume e abraça o ridículo e ao mesmo tempo considera seriamente as consequências disso (vide as vítimas da Horda e do Sr. Vidro).

    Falar sobre super-poderes, humanores “superiores” ou especiais, “deuses”, etc. costuma soar como uma ladainha elitista, mas o plot twist desse filme foi fazer da “fé” nas próprias capacidades e dons, seja lá quais forem, algo cheio de potencial revolucionário. Afinal, no nosso mundo dominado pelos interesses econômicos e políticos do 1%, ter privilégios não é uma forma de super-poder? Ser rico não te permite fazer coisas que ninguém mais consegue? Bem como, num grau menor, ser homem, branco, hétero, e assim por diante? Enfim, Shyamalan não é explícito sobre isso, mas minha leitura do final, e de seu bando de excluídos, foi essa.

    Sobre o Oscar: o Chico falou algo durante a discussão sobre a “temporada” não ter privilegiado um certo tipo de filme (os dirigidos por mulheres). Isso me lembrou de uma thread no twitter do Boots Riley, diretor de Sorry to bother your. Ele disse que a “galera de Hollywood” gostou do filme dele, mas não votaram pro Oscar porque o filme não fez nenhuma campanha “for your consideration”, então as pessoas acham que o filme não tem chance. Em outras palavras: os votantes só votam em quem “se mostra”, se vende como possibilidade. Minha pergunta então é: até que ponto isso é verdade? Quais as forças que fazem uma “temporada” do Oscar ser assim ou assado?

    Abraço!

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  10. O que falar de ‘Vidro’? Que ele é o meu guilty pleasure do ano. E eu nem tinha gostado de ‘Fragmentado’ tanto assim. Mas, depois de ver os três na sequência tudo fez sentido para mim. Encontrei a luz no cinema do M. Night Shyamalan. Concordo com o Michel que a Sarah Paulson não faria falta nenhuma nesse filme. É a coisa mais chata. E essas indicações do Oscar? Que ovo cozido em banho-maria. Na verdade, foi uma bufa fria. Claro que amei algumas indicações, mas outras eu preferia esquecer. Estou igual a Cris, com preguiça de ir assistir alguns filmes. Estou cogitando até ir de pijama pro cinema que eu já embalo um sono. E Glenn Close que me perdoe, mas qualquer uma das atrizes de ‘A Favorita’ poderia ganhar fácil, embora só tenha uma indicada na categoria principal de atriz. Até agora não sei o que Rachel Weisz, Emma Stone e Mahershala Ali foram fazer na categoria de coadjuvantes, totalmente principais. E pensar que poderíamos ter dois atores negros indicados na categoria de ator principal. Todo ano existe um discurso poderoso nessas cerimônias americanas, e no ano seguinte parece que as ações que poderiam derivar desses discursos são jogadas no limbo. E como vocês vão falar do livro verde no próximo episódio, já adianto que não achei essa desgraceira toda que o pessoal tá achando, embora também não seja bom. Já a disputa de Flora e Donatela pelo selo real é bem mais interessante. Abraços!

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