Episódio 109: Assédio e Retratação

A semana foi quente nas polêmicas sobre assédio e os protestos das mulheres do cinema, com novos acusados de abuso sexual e debates após o manifesto de 100 francesas – entre elas, a atriz Catherine Deneuve. Voltamos a debater a polêmica (24:48) na edição desta semana.

Em destaque, dois filmes oscarizáveis: O Destino de Uma Nação (39:28), de Joe Wright, traz Gary Oldman como Churchill – ele é favorito ao prêmio de melhor ator. E a nova animação da Pixar, Viva – A Vida é Uma Festa (1:07:18), anda emocionando o público com uma homenagem bem americana à cultura do México.

No Boletim do Oscar (16:10), os Indicados ao Bafta, DGA e os vencedores do Critic’s Choice. E, claro, os tradicionais Cantinho do Ouvinte e Recomendações. Bom podcast!

METAVARANDA (média das notas dos filmes comentados na edição)

O Destino de uma Nação | Darkest Hour | Joe Wright | 55
Viva – A Vida é uma Festa | Coco | Lee Unkrich | 60

Gravado na segunda, 15 de janeiro, na varanda do Michel.

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24 comentários sobre “Episódio 109: Assédio e Retratação

  1. Há alguns episódios que estou ensaiando comentar, acho que agora recebi um sinal, rsrs. Uma vez procurando por episódios sobre Orgulho e Preconceito (filme, livro ou série) achei um Cinema Na Varanda com esse título, mas não era sore o filme do Joe Wright, enfim, assim conheci o podcast e gosto demais das análises de vocês.

    Gosto do Joe, apesar dos pesares, ele ainda tem crédito comigo por:
    Orgulho e Preconceito que amo demais.
    Desejo e Reparação, que apesar de eu não gostar mais que Orgulho e Preconceito, acho o melhor trabalho do diretor. Ah! Aquele plano-seqüência na praia de Dunkirk.
    Ana Karenina que é um deleite visual.

    Há três elementos em comum nos filmes bons do Joe Wirght: Adaptação de Livro, se passa em outra época e Keira Knightley. A falta de dois desses três elementos me deixa reticente em ver O Destino de Uma Nação.

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    1. Oi, Nidia. Obrigado pelo comentário! Também acho ‘Desejo e Reparação’ o melhor dele (não comentei durante a gravação, mas fica aqui o registro rs). Gosto muito do livro do Ian McEwan e acho que foi uma adaptação correta, que não traiu o que tem de central na narrativa. Sim, acredito que tenha faltado no ‘Destino’ um material mais consistente… E faltou a Keira, claro.

      Abraço!

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  2. Varandeiros – parte 1,

    Deixe de caçoar de Joe Wright. Ele é excelente diretor! (Rs). Eu gosto de dizer que J. Wright é um academicista competente ao dirigir filmes, ainda que faça escolha de projetos duvidosos como Peter Pan – para mim, o problema do filme é de roteiro, visualmente é belo. Tirando esse problema de escolhas, Joe Wright consegue, por trás da câmera, gerar efeitos visuais, enquadramentos belíssimos e uma misancene muitas vezes impecável.

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    1. Acho que você esqueceu de O Solista? rs

      Meu problema com ele é que esses ‘efeitos visuais’ e ‘enquadramentos belíssimos’ deixam em mim a impressão de aparecer a fórceps nos filmes, como se o Joe precisasse dar um ‘pause’ na trama para, em alguns minutos, deixar aparecer no filme o esteta criativo que ele é. Não me convence muito, não. Acho eficiente, exibicionista e só.

      Abs

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  3. Varandeiros parte 2,

    Gostei muito do “O Destino de uma Nação”.

    Explico:

    1) Achei que Joe Wright mostra as fraquezas e virtudes de um homem ao assumir o poder. De certo modo, ele reconstrói o ex-primeiro ministro, dando uma humanidade poucas vezes vistas a figuras históricas no cinema (Oldman tem papável importante nisso).

    2) A utilização da sombra e da luz é belíssimamente utilizada ao longo do filme. Um elemento narrativo que não apenas floreia o filme, mas que ajuda na história (desde da cena do quarto que ele sai das sombras para claridade).

    3) O enquadramentos de Joe Wright estão muito bons ao longo do filme. Há uma cena, em particular, que é muito legal. Nela, Wright literalmente enjaula o protagonista, dizendo ao espectador que o primeiro ministro está preso as decisões daquele mundo político (ele expressou ali genialmente o momento de fraqueza do personagem).

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  4. Varandeiros – parte 3

    Viva é mais uma animação muito boa da Pixar. Gostei da história e achei que a Pixar/Disney saíram um pouco do quadrado nessa animação. Contudo, ao vê-la, lembrei automaticamente de outra animação que abordava o mundo dos mortos. O divertido Festa no Céu. Óbvio que há diferenças na história. Mas, visualmente falando Festa no Ceu era muito mais arrojado.

    Abraço em vocês!

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  5. Olá Varandeiros, como vão?

    Então, esta semana, assisti O Destino de uma Nação | Darkest Hour e em todo momento durante o filme ficava pensando como que The Crown é uma boa série. Darkest Hour até que tem algumas qualidades, dentre elas o soberbo Gary Oldman como Churchill, o design de produção e fotografia impecável e a sua maquiagem surpreendente. Porém o roteiro de Anthony McCarten ( o mesmo de A Teoria de Tudo) é esquemático e superficial (a cena do vagão do metrô é o ponto mais baixo do filme para mim) e não desenvolve muito bem os outros personagens (Kristin Scott Thomas está irreconhecível). Ele acaba dando muito mais foco no personagem principal do que no resto, infelizmente. O mesmo problema de a Teoria de Tudo. Além disso, os únicos diálogos memoráveis são aqueles quando há citação direta de Churchill. Na minha opinião, falta drama neste filme e um pouco mais de emoção. O diretor Joe Wright até tenta criar um visual sofisticado, mas acaba fracassando pela fragilidade do roteiro. No final, o gosto que fica é de mais um filme inglês com uma grande performance. Em se tratando da gagueira do Ben Mendelsohn como George VI, não achei tão problemática assim, já que O Destino de uma Nação se passa cerca de oito meses depois da última cena de O Discurso do Rei, ou seja, a gagueira está bem mais controlada.
    Em relação a Viva – A Vida é uma Festa | Coco, sua produção apresentou algumas polêmicas. Uma delas envolvendo a tentativa de registrar a expressão “Dia dos Mortos”, possível nome do filme e uma das principais datas festivas mexicanas, como marca comercial. Depois dessa mancada, a Disney | Pixar foi acusada de apropriação cultural, para reverter esse cenário ela acabou chamando consultores de origem latina para reforçar o trabalho de pesquisa da equipe original feito “in loco”, no México. Um desses consultores foi o caricaturista mexicano e norte-americano Lalo Alcaraz que havia criticado a Disney, especialmente quando a casa comunicou, em 2013, sua intenção de registrar a marca do “Dia dos Mortos”. Alcaraz se pronunciou, na época, com uma ilustração que chamou de Muerto Mouse, e que combinava o principal símbolo da Disney com Godzilla e o Dia dos Mortos: um Mickey Mouse gigante, esquelético e com dentes afiados que atacava a grande cidade da cultura latino-americana. Depois de dois dias, ele entrou para a equipe de produção do filme, o que gerou certas críticas.
    Além disso, no Brasil, grande parte dos cinemas brasileiros boicotaram a exibição do filme, isso porque para lançar a sua mais nova animação, a Disney estaria exigindo que as salas de cinema do Brasil repassem a ela 52% do faturamento do filme, em vez dos tradicionais 50%. Isso fez por exemplo, que “O Touro Ferdinando”, animação que estreou na semana seguinte, tivesse um desempenho melhor nos cinemas do que Viva. No mesmo período, “O Touro Ferdinando” vendeu quase o dobro que o outro (798.141 ingressos contra 359.271 de Coco). Falando do filme propriamente dito, não acho ele grandes coisas também e me entristece o fato de a disney acabar (quase) sempre ganhando o prêmio de melhor animação no Óscar. Está mais do que provado que existem grandes animações também fora da Disney | Pixar, como por exemplo este ano Loving Vincent que teve um trabalho estético e técnico muito mais avançado do que coco, mas dificilmente ganhará. Uma pena.
    Me Desculpe pelo longo comentário, acho que exagerei um pouquinho, mas achei importante expor essas curiosidades e críticas e estou ansiosíssimo para a discussão de Call Me By Your Name. Muito Obrigado por este espaço e um grande abraço.

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    1. Muito legal o comentário, Caio. Você trouxe alguns detalhes de que eu desconhecia, principalmente em relação ao ‘Coco’, e que explicam um pouco o meu desconforto com o filme. Vou levá-los ao próximo Cantinho do Ouvinte.

      Abraço!
      Tiago

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  6. Oi gente!
    Sobre o assunto dos assediadores de hollywood só vou dizer uma coisa, Hollywood esta sendo como a Lava Jato, cada semana aparece um podre diferente, e vc nunca sabe quem será o próximo.
    Sobre o destino de uma nação ainda não assisti por isso preferi ver o filme primeiro e depois ouvir a discussão que fizeram.
    Mas sobre Viva, posso colocar alguns pontos. Na minha opinião Divertidamente ainda é a obra prima da Pixar, mas Viva vem em segundo lugar.
    Na minha visão a morte e o luto acabam tendo um destaque maior do que a memória.
    E por ser um tema muito difícil em se abordar, acho que o filme lida de uma forma tranquila, divertida e fácil, pensando no público infantil.
    Ainda não assisti “Festa no Céu”, mas pela minha experiência são poucos os filmes direcionados a esse público que lidam com esse tema tão explicitamente.
    E o que me faz considerar esse filme como a segunda obra prima da Pixar é justamente isso, ser um filme estaticamente colorido, alegre mas que lida com um assunto tão escuro, questionável e assustador como a morte.
    Beijos a todos

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  7. Vocês comentaram sobre Black Mirror – é admirável o amor do Michel pela série! -, e também mencionaram os altos e baixos da filmografia do Joe Wright, então acho que vale a lembrança de que ele também já dirigiu um episódio da série: Nosedive, o 1o episódio da 3a temporada, e também conhecido como “Aquele das Estrelinhas”.
    Esse episódio, para mim, exemplifica tanto a mão pesada do Charlie Brooker para desenrolar suas tramas quanto a mão pesada do Wright para estabelecer um drama.

    Abraços a todos!

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      1. Caramba, como arte gera visões antagônicas (ainda bem). Nosedive é um dos melhores episódios de Black Mirror, inclusive na parte estética… É um dos raros episódios com traços de cinemas, muito em razão da direção de Joe.

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  8. Oi, pessoal!
    Muitos assuntos nesses últimos episódios, estou adorando.
    Bom, na questão Mark Wahlberger, acho que a imprensa tentou puxar a discussão para o lado da disparidade salarial, quando na verdade era outra a questão: se toda a equipe concordou em cobrar um valor simbólico para se desligar do Kevin Spacey e se posicionar, fica muito feio para o Wahlberger cobrar um milhão a mais,né? Acho que se o Ridley Scott tivesse all money in the world, ele ia ser o próximo a ser apagado do filme para não manchar alguma possibilidade de premiação. Quanto ao caso da Rebecca Hall e de todos os que estão se posicionando no caso do Woody Allen, acho realmente que é um caso nebuloso, mas que ganhou força no último ano depois que o Ronan Farrow encabeçou a investigação sobre o Weinstein. O caso era muito retratado como uma invenção da Mia Farrow, mas o fato de um dos filhos ter se dedicado a uma história de abuso, ainda mais de um produtor que apoiou Woody Allen acho que contou muito para o reaquecimento do caso. É complicado por ser um caso antigo, sem dúvidas, mas, pessoalmente, sou a favor do “antes tarde do que nunca”.
    Quanto ao ‘O Destino de uma nação’, consigo ver todas as qualidades das quais vocês falaram: o trabalho do diretor, a fotografia interessante, o Gary Oldman sendo incrível… Mas achei o filme muito chato! Vejo essa tentativa de humanizar o Churchill, mas concordo com o comentário do Caio aí em cima de que falta emoção; o cara vai sacrificar 4 mil soldados e é ‘ok, mais um dia normal aqui’. Quanto a cena do metrô, levei um susto porque fiquei esperando que todo mundo ia levantar e começar um número musical (pensando aqui, um musical sobre o Churchill era uma coisa que eu gostaria muito de ver)!
    Já em ‘Coco’, nunca tinha parado para pensar nessa “fórmula para adultos” da Pixar, mas ela foi 100% efetiva pra mim, pois chorei de passar vergonha. ¯\_(ツ)_/¯
    Acho que o que o filme traz de diferente da fórmula clássica Diney-Pixar é o fato do personagem principal não passar pela história mostrando como ele estava certo e a família errada (como acontece na maioria das animações: A pequena Sereia, Zootopia); ele não desiste do sonho, mas também aprende uma lição. Achei uma diferença interessante e esse é um traço muito mais ligado à cultura mexicana (e até a nossa) do que à cultura americana.

    Abraço

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    1. Ah, e até o favorito a melhor ator tem seus esqueletos no armário, né? Apesar de ser uma denúncia antiga, o Gary Oldman tem uma acusação de agressão a uma das ex-mulheres. Acho que a melhor solução para o Oscar lidar com isso é cancelar todas as categorias masculinas e dar dois prêmios em cada categoria feminina… Rs

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      1. Boa ideia, rs 🙂 Sem homens no Oscar 2018. São tantos temas quentes no seu comentário que teríamos que fazer um Cantinho do Ouvinte supersize na próxima edição. Gostei muito 🙂

        Abraço!

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  9. Li esta frase do Fellini no Twitter da “Cinephilia & Beyond”, e achei muito pertinente:
    “I don’t like the idea of ‘understanding’ a film. Either a film has something to say to you or it hasn’t. If you are moved by it, you don’t need it explained to you. If not, no explanation can make you moved by it.”

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  10. Olá Varandeiros, já tem algum tempo que escuto semanalmente o podcast de vocês e devo dizer que atualmente é, com certeza, o meu podcast favorito!

    Resolvi comentar nesse episódio porque também senti uma formula “artística” engessada em Coco e tenho uma teoria, ou uma constatação, sobre o motivo de ter ficado tão aparente. Nesse ano escolar americano está rolando um evento em toda a Califórnia, mas mais focado em Los Angeles, chamado LA/LA: Pacific Standard Time. É um evento para celebrar as raízes e influência da cultura Latino Americana em Los Angeles, uma cidade com 47% de população Latina. Todos os museus, cinemas e ambientes públicos foram palco dessa grande divulgação de artistas, produções e temáticas da cultura “latina”. É um projeto de mais de 10 anos. Assim, no início da Corrida do Oscar, observei que a narrativa que estava sendo construída, antes das denúncias de assédio e do fortalecimento da narrativa do Time’s up, era sobre a cultura Latino Americana. Assim, a contrução da narrativa for fortalecidade quando entregaram o Oscar especial para o Inarritu por Carne Y Arena e o Guillermo Del Toro já estava sendo cotado como favorito à direção por um filme que tem como pauta a diversidade. Para mim, a Disney, que é sempre muito espertinha, não parece ter lançado Coco por acaso nesse ano. O Pacific LA tem um compromisso artístico muito grande, entãofaz todo o sentido a Disney escolher fazer o filme no selo Pixar focado em cumprir a agenda do evento e das premiações, tentandousar a forma fácil e formulaica que lhe garantiu sucesso por diversos anos consecutivos. Dessa forma, Coci se inseriria na narrativa do Oscar e na narrativa da cidade, ainda que, infelizmente, a maior parte dos Latino Americanos não possa pagar os ingressos para ver o filme, já que são extremamente caros (e a essa crítica também é válida para o Carne y Arena). Assim, a fórmula Pixar + Diney + Prêmios + Agenda artística de Los Angeles criou um filme bacana, mas com pouca personalidade e pouca coragem, diferente de A Festa no Céu. Torcendo que o Time’s Up deixe Loving Vicent mais forte. Esse sim é um filme corajoso!

    God save the Cris!

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  11. Pessoal, realmente esse podcast é excelente pois vocês não falam apenas de filmes americanos e blockbusters – COMO CERTAS PESSOAS! RSRS. Sou cineasta, indo para o meu quinto curta. Pertinho de um primeiro longa, gente! ❤😢 Quero sugerir outro podcast sobre distribuição. Mas dessa vez focados nos grandes festivais e como eles funcionam. Tragam o Rodrigo Teixeira. Haha! Sim. Estou pedindo muito. Obrigado por serem tão legais e animarem a semana. Quando for rico mando cervejas e pizza pras gravações de vcs
    Hahaha! Abraço 😜

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    1. Opa, Rodrigo Teixeira seria uma boa. Quem sabe? Sinceramente, eu acho que ficaria louco se falasse só sobre blockbuster. Não dá. Nada contra, estamos sempre tocando também no assunto, mas (a concorrência que não me ouça) manter uma pauta só com blockbuster é emburrecedor. O cinema tem uma série de outros caminhos possíveis e uma característica da Varanda é não ter problema algum com qualquer um deles.

      Abraço (e boa sorte com seu primeiro longa!)

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