Episódio 92: Vai pro Oscar ou não Vai?

O Boletim do Oscar (9:01) voltou! Bingo – O Rei das Manhãs foi escolhido pelo Brasil para representar o país no Oscar de Filme Estrangeiro. Os varandeiros Chico Fireman, Cris Lumi, Michel Simões e Tiago Faria entram no debate: a decisão foi acertada? Tem chances? E as polêmicas reações das equipes dos filmes preteridos? No cenário internacional, quais são os longas que já estão disputando as cinco vagas?

Entre as estreias, destacamos três filmes. Tom Cruise está em Feito na América (28:19), produção dirigida por Doug Liman sobre o piloto de aviões Barry Seal, que trabalha para a CIA e para Pablo Escobar. Falando em Oscar, Uma Mulher Fantástica (45:51) é o escolhido do Chile e trata da discriminação sexual. E o brasileiro As Duas Irenes (1:01:41) retrata o despertar da juventude ao contar a história de uma garota que descobre um terrível segredo familiar. Quais deles ficam, caem ou se penduram na Varanda?

Tem Cantinho do Ouvinte, pinceladas sobre o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017 e o filme búlgaro Glory, enquanto que nas recomendações alguns destaques do Indie Festival 2017. Bom podcast!

METAVARANDA (média das notas dos filmes comentados na edição)

Feito na América | American Made | Doug Liman | 54
Uma Mulher Fantástica | Una Mujer Fantástica | Sebastián Lelio | 68
As Duas Irenes | Fabio Meira | 64

Gravado no domingo, 17 de setembro, na varanda do Michel

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10 comentários sobre “Episódio 92: Vai pro Oscar ou não Vai?

  1. Óscar de Melhor Filme estrangeiro:

    Se existe um categoria, hoje em dia, que anda com uma fama desprestigiada é a categoria de Óscar de produção estrangeira. A seleção dos filmes é feita de uma forma bizarra. Com pré-indicados e depois indicados. Com a eleição de uma comissão para escolher os melhores filmes. Só que meio que todo mundo sabe que eles acabam assistindo meia dúzia de filmes e indicam aqueles que receberam mais repercussão ao longo do ano, que passaram em festivais ou foram produzidos por pessoas do meio de Hollywood e que agradaram a crítica americana (ênfase em americana). Ganha quem está disposto a pagar mais para divulgar seu filme. Complicado dizer quem vai estar na disputa do ano que vem, porque o gosto sempre é muito duvidoso. A última vez que o Brasil quase chegou lá, por exemplo, foi com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias que nem era um filme tão bom assim. Mas já tivemos escolhas horrorosas como Olga ou Lula, o Filho do Brasil. Olga, por sinal, é um belo exemplo de filme de Segunda Guerra que os votantes brasileiros acharam que ia comover a academia, só que não. Esse ano, de novo, quem está muito cotado continua sendo a maioria países europeus: Alemanha (In the Fade), Áustria (Happy End), Húngria (On Body and Soul), França (120 Beats Per Minute), Suécia (The Square), Noruega (Thelma) e outros filmes que estão por vir, com raras exceções como Camboja (First They Killed My Father), mais por conta da Angelina Jolie, o Chile (Uma Mulher Fantástica) por conta do Pablo Larraín e a Maren Ade e talvez a Argentina se ela indicar Zama da Lucrecia Martel. O triste é que quase nunca filmes latino americanos entram na disputa, geralmente por questões de preconceito, ou ganham um Óscar, o que complica para o Brasil. Quase chegamos lá nos últimos anos com Central do Brasil (que perdeu para o melodrama barato de A vida é Bela ou com Cidade de Deus (que teve múltiplas indicações), mas mesmo assim não foi o bastante. A verdade é que no final não dá para prever perfeitamente quem serão os cinco, mas sim os grande favoritos a serem indicados (ano passado, O Apartamento e Toni Erdamnn eram bem contados, mas ninguém previa Tanna ou Um Homem Chamado Ove), que se converte em potencial vencedor. Portanto, nos resta esperar.

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    1. “Ganha quem está disposto a pagar mais para divulgar seu filme”

      Sim. É bem isso. Lembro de uma entrevista que fiz com o Fernando Meirelles pouco depois do lançamento de ‘Blindness’. O diretor queria fazer campanha para o Oscar, mas o estúdio (acho que era a Sony) fez uma espécie de ‘veto financeiro’. Ele foi avisado que, se quisesse, teria que fazer campanha por conta própria. O estúdio apostaria todas as fichas em outro filme (acho que era ‘Simplesmente Feliz’, do Mike Leigh). O investimento para a campanha era tão alto que o Meirelles preferiu deixar quieto.

      Na disputa de filme estrangeiro, são duas seleções prévias, portanto. A primeira é feita pelos países e a segunda, pelos estúdios. Quem consegue bancar uma divulgação mais agressiva, geralmente se faz mais visível e leva o prêmio. Isso quando não entra a política no meio para bagunçar tudo – foi o que aconteceu com ‘O Apartamento’ no ano passado. É um jogo sem muita glória, no fim das contas.

      Abraço
      Tiago

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  2. O filme do Olavinho não tava como pré-candidato por qual razão? Achava que ele era o favorito, aquele Vale das Colmeias , Vale das Aleias, algo assim. Lá se foi nossa chance de ganhar. Aliás, nesse tema do filme do Olavinho, gente, vocês viram que o homem teve que oferecer dinheiro para os rapazes que fizeram o filme parassem de brigar? Que baixaria, já merece o Oscar só por esse “bafo” de bastidor, tem que tá no extra do blu ray esse chat do Facebook.

    Esse filme do Tom Cruise vontade zero de ver, mas um dia eu vejo, pois sou teimoso – e pensar que um dia eu via o Doug Liman como o Tarantino de adolescentes, por causa do Go (Vamos Nessa), ai ai ai…

    Abraços,

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  3. Fala Varandeiros.. Sobre o IT ainda, só queria deixar um comentário que não vi ninguém comentando em relação ao comportamento dos pais das crianças, apenas que tem:[“o pai abusador, a mãe obesa super protetora, os pais negligentes, o religioso, o policial opressor, o avô obtuso” [copiei do Guilherme Keenan]] e que eles não mexem um dedo sobre o desaparecimento das crianças. Não li o livro, mas o que eu pude entender foi, como o Pennywise vem de 27 em 27 anos, eram os pais delas que eram as crianças na época, então eles eram os assombrados pelo Pennywise, só que diferente dos seus filhos não conseguiram enfrentar os seus medos e com isso eles foram oprimidos e consequentemente cresceram afetados. A própria mãe do Eddie Kaspbrak (hipocondríaco) tenta o tempo todo deixar ele em casa, até colocou na cabeça dele as doenças inexistentes… Bom, isso que identifiquei, não digo que estou certo.. Mas cabe a analise..

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    1. Oi Warley,

      Se não me engano, o Chico fez um comentário breve, que deve não ter conseguido desenvolver durante a conversa. Mas, sua análise é mais profunda nesse ponto e levanta questões hein… será que a parte 2 vai trazer alguma informação desse tipo? Veremos.

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  4. Olá! Michel, tu tá assumindo o Cantinho do Ouvinte? So cool. Sobre a escolha de ‘Bingo – O Rei das Manhã’ acredito que tenha sido a melhor escolha dentre todas as opções, embora não tenha assistido algumas outras. Só não sei como os gringos irão reagir ao filme quanto as cenas onde o Bingo debocha do Tio Sam. Vamos esperar. ‘Feito Na América’ é um filme bom, mas nem tanto. Quando me deparei com a história de Barry Seal só me vinha os Irmãos Coen na direção. A história de um agente que trabalhava para a CIA e para o cartel de Pablo Escobar é no mínimo pitoresca, no melhor sentido. Algumas coisas que não gostei no filme: o tom pop e comediante levado a todo instante e sem um tom crítico agressivo; a montagem sempre didática; e a falta de camadas e de interpretações de alguns personagens – o Barry Seal do filme parecia a Poppy em Simplesmente Feliz, uma eterna felicidade sem fim. O personagem por si só já era de uma complexidade imensa. Já ‘Uma Mulher Fantástica’ é um filme tão delicado e forte ao mesmo tempo. É um filme mais que necessário, é um filme vital. E que interpretação formidável da Daniela Vega, indicação ao Oscar já. Só queria levantar um questionamento para com a imagem dos transgêneros que temos em nosso ideal imaginário, neste caso os travestis. Sempre esperamos que a personagem principal no filme irá se exceder, gritar ou fazer o maior escândalo ou barraco a qualquer momento. Mas isso não seria uma imagem já pré-definida que a sociedade construiu ao longo dos anos em nossas mentes? Sempre marginalizando os travestis e os decorando com o título de seres perigosos, briguentos, escandalosos e tal. A todo momento do filme quando nos deparamos com uma mulher que sofre todas as suas dores passivamente me vem a imagem de uma mulher, que é a personagem do filme e que assim deve ser tratada, e não a imagem do travesti. Daí me questionei se estamos esperando da personagem que ela seja o travesti dos nossos imaginários ou a mulher de verdade que ela é para consigo mesma? Quanto ‘As Duas Irenes’ ainda não tive a oportunidade de assistir, mas já ta na lista. Um abraço pra todos vocês.

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    1. Oi Vitor só por uns dias, em breve o titular volta ao posto.

      “‘Feito Na América’ é um filme bom, mas nem tanto.” – não preciso dizer mais nada né

      Daniela Vega é mesmo formidável, filme que merecia mais atenção do público.

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