Episódio 71: 10, Nota 10!

Depois de muita polêmica, os ouvintes querem saber: quais são os filmes nota 10 (8:12) do mais rigoroso entre os jurados cinematográficos, o temido Michel Simões? Chico Fireman e Tiago Faria descobrem alguns deles, entre clássicos e surpresas recentes, e debatem os títulos amados pelo nosso varandeiro. O que faz um filme nota 10? Existe longa-metragem perfeito?

Na segunda parte do programa, a estreia de Paterson (57:52) retoma o debate do filme, com opiniões bem diferentes e também uma rápida revisão na carreira do cineasta indie/lado B Jim Jarmusch.

Na nova aparição do Varandeiro do Zodíaco (1:19:38), Ailton Monteiro faz um divertido ping-pong com Cris Lumi sobre as características de cineastas taurinos como Orson Welles e George Lucas. E mais: Cantinho do Ouvinte e, nas recomendações, mais uma discussão rápida sobre a série 13 Reasons Why, além de dicas para curtir a programação de mostras em São Paulo. Bom podcast!

METAVARANDA (média das notas dos filmes comentados na edição)

Paterson | Jim Jarmusch | 63

Gravado na segunda-feira, 24 de abril, na varanda do Michel.

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19 comentários sobre “Episódio 71: 10, Nota 10!

  1. Estou ouvindo o poadcast ainda mas não posso deixar passar que por volta dos 30 minutos acontece um ato criminoso cometido pelo Sr. Michel. Mexeu numa ferida muito forte: cutucar o Rocco, passa, mas o neorrealismo italiano eu não aceito. #vamotacafogonavaranda

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  2. Oi, varandeiros!
    To pra comentar há algumas semanas mas sempre acabo esquecendo. Amei os últimos episódios, tiveram várias discussões que pra mim, um jovem cinéfilo de 20 anos, foram impulsionadoras e até desmistificantes. Venho refletindo bastante sobre essa questão de dar notas, de filme bom e filme ruim, dos cânones, etc. Já “me fiz” gostar de filmes que eram unanimidade de crítica e só recentemente consegui me livrar dessas questões e me dedicar única e exclusivamente a minha experiência com o filme. As críticas do Chico, inclusive, foram essenciais pra isso, porque geralmente traziam uma visão diferente da que eu tinha e da crítica num geral. Já essa ideia de um filme imperfeito, com arestas, como diz o Tiago, foi um convite a me envolver com filmes que imagino que há um ano não teria gostado tanto, como Manchester à beira mar (que é meu favorito desse ano até agora) ou Personal Shopper. Não vi Paterson ainda, mas amei a lista do Michel. Magnólia é um dos filmes da minha vida (gosto muito de todos os filmes do PTA), e eu vi Antes do pôr-do-sol pela primeira vez com 16 anos, e pra mim foi catarse absoluta.
    Enfim, deixo esse comentário mais como um agradecimento mesmo, por falarem de cinema de uma forma tão construtiva, livre e apaixonada. Até semana que vem! Abraço!!

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    1. O melhor comentário que poderíamos ter recebido, João. Muito obrigado. O mais legal do podcast, na minha opinião, é falar francamente sobre assuntos que acabam aparecendo durante as experiências (sempre muito pessoais) de quem ama cinema. Por exemplo, sobre os muitos preconceitos que a crítica, os jornalistas, os escritores, estudantes da área e os cinéfilos vão construindo no decorrer dos anos e que são assimilados por parte do público. Por que um filme se transforma em uma unanimidade, em um ‘clássico’? O que faz um ‘clássico’? Quem decide isso? Por que usamos essas definições no nosso dia a dia? São temas que me interessam bastante. Bom saber que há pessoas aí do outro lado da linha que também curtem pensar sobre tudo isso.

      Abraço!

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  3. Boa noite Varandeiros,

    Bem, preferi não ouvir a parte referente ao lançamento, pois ainda não vi o filme. Tenho o hábito de evitar ouvir comentários sobre filmes antes de vê-lo.

    Sobre os 57 minutos iniciais…

    Eu gosto de adotar um enunciado que diz mais ou menos assim:

    “O público diz se é sucesso, a crítica diz se é arte e o tempo diz se é clássico”.

    Nesta premissa encaixa-se a ideia que vocês levantaram de ver filmes consagrados antigos tentando encaixa-lo na história do cinema (o que torna este filme um clássico?).

    Quando olhamos filmes por este viés histórico, passamos a compreender as transformações do cinema e o papel desempenhado por cada filme no contexto que está inserido.

    Sobre a lista do Michel…

    Amo Antes do por do sol, vi umas 15X Cidade dos Sonhos e adoro 2001 (que não está nessa lista).

    Sobre Cidade dos Sonhos, lembro de valorizar na época, no primeiro momento, a crítica do Villaça, depois achei estapafúrdia, pois o filme era sobre imagens e não sobre roteiro (como a crítica tentava decifrar).

    Abraços!

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    1. Legal o comentário, Carlos. Só acredito que, com o tempo e com a internet, os limites entre crítica e público foram ficando mais estreitos e difíceis de definir. Num ambiente em que todo mundo pode ser crítico, quem teria o papel de definir o que é ou não é arte?

      Abraço!

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      1. Tiago,

        vou fazer o comentário fragmentado, pois a publicação não tá indo, pois está grande…

        Parte I

        Bem, apesar de considerar que há um relativo encurtamento entre o crítico e o público geral (podemos ver isso aqui em comentários muito bem embasados) como colocaste de forma excelente.

        Há uma coisa que não podemos ignorar, amigo.

        O local de fala. O local de emissão de enunciados/discursos (aqui vou chamar Foucault para discutir).

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      2. Parte II

        O crítico especializado está num local de fala que o público geral, do mais conhecedor ao menos conhecedor, não se encontra. Ele está na TV. Ele está num jornal de grande circulação. Ele está numa revista especializada ou numa revista semanal. Ele está nos grandes portais da internet. Ele está no site mais antigo do Brasil sobre cinema (maior exemplo de gritar que tem poder impossível). Ele está no currículo do crítico.

        Tiago, estes aspectos sempre demarcarão os locais de fala e, por conseguinte, a legitimidade da fala.

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      3. Parte III

        O que isto quer dizer?

        Que os meus enunciados, por exemplo, sobre um filme não tem o mesmo peso que o enunciado do Michel, por exemplo.

        Dito tudo isso, não sou eu que direi que determinado filme é arte. Ainda que possa me posicionar nesse discurso. É o local de fala e quem fala que permitirá validar a ideia de que determinado cinema é arte. É nesse local que esse discurso/enunciados são legitimados.

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      4. Parte IV – Agora o fim de verdade…

        Acho que nunca falei para vocês. Estou estudando no doutorado análise do discurso fílmico, tendo a teoria enunciativa do Michel Foucault como ferramenta analítica. Mais especificamente falando, estou estudando alguns filmes de ficção científica e vendo o que os enunciados imagéticos presentes neles fabricam. Minha tese é que os filmes de ficção científica estão produzindo uma sociedade cientifizada, tendo a ciência como a nova religião, mas não apenas isso, nesse mundo científico dos filmes estão se produzindo novos modos de ser, novas morais e novas éticas (se quiserem ajudar-me com sugestões de filmes que possam corroborar com minha tese, aí vai meu e-mail cadunon@yahoo.com.br, aceito sugestões).

        Abraços!

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  4. Poxa… nesse eu queria ter sido o primeiro a comentar!!! rs…
    Fiquei extremamente chocado com a lista do Michel!! Absurdamente surpreendente e empolgante!! Nunca imaginaria que ele daria um 10 para meu adorado “Magnólia” ou ao lindo “Antes do Pôr do Sol”.
    Muito Obrigado pelo programa incrível e já estou no aguardo dos três próximos programas de mesmo tema com o Chico, o Tiago e a Cris!
    Abração!!
    Ps: Assisti “Nocturama” e “Quase 18” por causa de vocês e só tenho a agradecer!! Filmaços!!
    Ps2: Assisti um filme francês essa semana, que se chama “O Novato” e gostei muito e me emocionei demais, apesar de sua inacreditável simplicidade e clichê. Gostaria de sugerir um tema assim, de filmes simples, sem pretensões e que atingiram o coração de vocês.

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  5. Carlos, não consegui responder diretamente o seu comentário. Vai aqui um trecho dele com minha resposta:

    “O crítico especializado está num local de fala que o público geral, do mais conhecedor ao menos conhecedor, não se encontra. Ele está na TV. Ele está num jornal de grande circulação. Ele está numa revista especializada ou numa revista semanal. Ele está nos grandes portais da internet. Ele está no site mais antigo do Brasil sobre cinema (maior exemplo de gritar que tem poder impossível). Ele está no currículo do crítico.”

    Então: há alguns (poucos) anos o tal ‘crítico especializado’ só existia na grande imprensa e (quando muito) na TV. Com a internet, esses lugares de fala foram muito, muito ampliados. Antes, o crítico era validado pelo dono da redação do jornal. Hoje, um sujeito pode simplesmente abrir um site ou um canal do YouTube (ou um podcast!) e se chamar de crítico. Ele terá mais importância que o fã de cinema que deixará comentários no IMDB. Talvez sim, até o momento em que esse fã conseguir juntar uma multidão de seguidores e se tornar uma referência no assunto. Entendo a ideia do ‘lugar da fala’, mas o que noto é que hoje ele está muito mais fluido que antes. Você, Carlos, pode começar um podcast e se tornar uma referência. Por que não?

    Abraço.

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    1. Tiago,

      Precisaria está em locus para explicar com riqueza de detalhes que, apesar de entender perfeitamente o que colocas, ele não se enquadra no funcionamento do processo de legitimação do cinema como arte (seguindo a lógica do Michel Foucault), pois, não se trata da pessoa/indivíduo, mas dos locais (diferentes) e da regularidade deste enunciado “este filme é arte”.

      Além disso, é bom que se diga que há locais e locais, nem todos tem o mesmo poder de legitimação.

      Um exemplo estapafúrdio: uma simples associação de astronomia (formada por cientistas) não poderia dizer que plutão não é planeta, mas renomados e importantes cientistas associados a União Astronômica Internacional (UAI) podem e legitimam.

      Poxa… Queria muito explicar… Muito mesmo… Adoro cinema, respeito a opinião de vocês e gosto muito de ouvi-los.

      Ps.: Não esquece da ajuda ao meu trabalho 😉

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      1. Olha, entendo bem o que você diz, é um conceito que funciona à perfeição, mas estou tentando problematizar o assunto porque acredito que, hoje, a realidade se tornou um pouco mais complicada rs.

        Foucault à parte, não vejo nas discussões sobre cinema, hoje, algo equivalente a essa tal União Astronômica Internacional, o que pode deixar esse sistema de legitimação dos filmes bastante impreciso. Nos anos 60, existia. Nos anos 70, também. Há alguns anos, jornais grandes e revistas de cinema tinham o poder de definir quais eram os filmes mais importantes da década. Hoje, não tanto. Muitos assessores de imprensa, por exemplo, dão mais valor a youtubers que a críticos da imprensa (até porque pouca gente lê jornal hoje em dia, em comparação à quantidade de leitores dos anos 70). Qual é o peso de um comentário do Rubens Ewald Filho hoje em dia, por exemplo? Para muita gente, nenhum. Para outros, só quando o Oscar é exibido na TV. Quando eu era criança, era uma opinião muito importante e que legitimava os tais ‘grandes filmes’. Enfim. As referências mudam. Para a minha geração, as opiniões de críticos da internet valem mais que as de críticos da grande imprensa. Uma lista da Cahiers ou da Sight and Sound não tem tanto peso quanto teria há 20 anos.

        É uma discussão muito boa. Só quero deixar claro que não estou discordando do conceito que você está expondo. Entendo, mas acho mais curioso observar as transformações no momento em que vivemos.

        Abraço

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  6. É sério que ‘Magnólia’ recebeu 10 do Michel??! Jamais pensei que ele daria 10 justamente para ‘Magnólia’. Esperaria um Bergman da vida, que nem foi citado. De qualquer modo, adorei essa referência aos filmes atuais. A impressão que vejo quando olho para todas essas listas de melhores filmes é que somente no passado se fazia algo extraordinário. Temos tanta coisa bacana que foi ou estão sendo feitas. Além disso, fiquei maravilhado por ter sido citado no episódio. Foi um prazer imenso ter catado os filmes episódio por episódio, e vê as notas de cada um. Quanto a ‘Paterson’ gostei muito do filme. Concordo um pouco com Chico quando a personagem feminina poderia ter sido melhor construída. Mas por outro lado achei interessante, pra mim nesse caso, quando ele retrata a questão da inquietude da personagem no sentido dela constantemente alternar seus interesses seja no artesanato, ou na questão de aprender a tocar algum instrumento, ou na elaboração de cupcakes. A ideia que me transmite é de uma mulher que precisa se reinventar a cada dia para suportar a rotina cotidiana do casamento e se vê desorientada nesse mundo bagunçado de interesses. Enquanto ele tem a poesia como ponto de fuga ou dom mesmo, ela tem os quereres diários característicos de uma pessoa que não se descobriu ou se achou mas que tenta colocar em ação qualquer prenúncio de criatividade que venha à cabeça. Diferente dele que se esconde dentro da sua própria poesia e, não sei se por vergonha ou se por não acreditar nele mesmo, não tem coragem de dizer para a própria esposa um de seus textos. Um grande abraço.

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  7. Varandeiros,

    Finalmente pude ouvi-los sobre Paterson. Infelizmente em Belém temos pouquíssimos espaços para exibições de filmes… Digamos assim, menos populares (só um para ser mais exato).

    Como Tiago e Michel, eu gostei de Paterson. No meu modo de ver, é um filme sobre a poesia da vida “comum”, um filme sobre a poesia dos detalhes que se alteram na rotina. É o cinema falando da poesia. É o cinema falando sobre o ato de criar. Gostei muito!

    Daria 7 e acho que numa revisita o filme ganharia mais.

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