Episódio 50: Os Intocáveis e os Não-Me-Toques

Ame ou deixe. Mas como ignorá-los? Esta semana, Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria conversam sobre três cineastas que despertam reações extremadas. O canadense Denis Villeneuve, de Incêndios e Sicario, volta às telas com a ambiciosa ficção-científica A Chegada (15:00). Também do Canadá, o queridinho do Festival de Cannes Xavier Dolan adapta uma peça de teatro com bons atores e poucos cenários em É Apenas o Fim do Mundo (1:21:00). Em comum, são filmes que dividem crítica e público.

Entre um papo e outro, o trio relembra a trajetória de um um veterano que também não deixa ninguém indiferente: o americano Brian De Palma, tema do documentário De Palma (36:55). Ótimo motivo para um top 5, certo? E mais: #FalaCris, Cantinho do Ouvinte e Boletim do Oscar (7:32). Bom podcast!

METAVARANDA (média das notas para as estreias comentadas na edição)

A Chegada | Arrival | Denis Villeneuve | 50
De Palma | Jake Paltrow e Noah Baumbach | 50
É Apenas o Fim do Mundo | Juste la Fin du Monde | Xavier Dolan | 37

Gravado na segunda, 28 de novembro, na varanda do Michel.

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18 comentários sobre “Episódio 50: Os Intocáveis e os Não-Me-Toques

  1. O primeiro filme do De Palma que eu vi no cinema foi ‘Os Intocáveis’, com 11 anos – ainda bem que os cinemas de Santos eram frouxos com as restrições de idade – e pirei. Foi, aliás, o primeiro filme que eu voltei no cinema para ver de novo. Até pedi para o meu pai comprar o disco com a trilha do Morricone.

    1 – Um Tiro na Noite
    2 – Vestida Para Matar
    3 – Scarface
    4 – O Pagamento Final e Os Intocáveis
    5 – Carrie, a Estranha

    Menções honrosas:
    Pecados de Guerra
    A Fúria

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  2. Galera, dessa vez discordo peremptoriamente de vocês… rs…

    Vamos lá…

    Sim, ele tenta ser grandioso. Isso não pode ser apontado como defeito. É uma vontade apenas e, penso que temos que respeitar.

    Pra mim, A Chegada é um filme sobre nós, seres humanos. É um filme sobre nossos medos diante do desconhecido, diante do futuro, diante do percurso (aqui a liga com o roteiro cíclico). É um filme sobre nossa incapacidade de se comunicar. Incapacidade esta que não se encontra restrita em falar com ETS, mas principalmente em falarmos entre nós e com si. É esta incapacidade que nos leva a diferentes medos, entre eles, o medo de viver um percurso.

    Sim, concordo que ele se inspirou no cinema de Terrence Malick e fundou a ficção em filmes como 2001 e Solaris. Contudo, ele não quis fazer estes filmes ou algo tão filosófico quanto eles (vou deixar uma pergunta que gostaria que debatessem na próxima varanda), pois não teria como fazer.

    Daí lanço a pergunta: é possível fazer um 2001 (meu filme favorito em todas as ficções) nos dias de hoje?

    Bem, eu creio que não. Não com a grandiosidade que foi 2001.

    PS.: Ainda que ele não tenha o talento de um Shyamalan como construtor de imagens em movimento, penso, ser injusto compará-lo com Nolan, afinal, a misancene de Villeneuve é bem melhor do que de Nolan rs….

    Abraços!

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  3. Sobre o Villeneuve: há um tempo eu curtia os filmes dele, mas todos foram caindo com o tempo pra mim… precisaria rever pra ter uma opinião definitiva. Mas eu estranhamente gostei de A Chegada (e não esperava nada). Acho que ele tem vários problemas, em algum ponto fica refém da própria estrutura e tem dificuldade pra se reinventar a partir dela (especialmente na transição pro terceiro ato) e tudo mais… mas eu gostei bastante da maior parte do filme, apesar de várias ressalvas. Acho que o Villeneuve é um cineasta competente no que diz respeito à narrativa, sabe usar os recursos técnicos e estéticos a disposição pra construir uma atmosfera, criar tensão e tudo mais. Acho que ele faz um bom feijão com arroz, mas é muito pretensioso, se leva a sério demais e nem sempre consegue conciliar as ideias com a narrativa (aliás, ele pega uns roteiros bem problemáticos, hein). Não acho que seja um grande cineasta, até porque como o Tiago disse, também não enxergo muito um estilo bem definido, mas também não desgosto do rapaz.

    Sobre o Dolan: eu vi 4 filmes dele. Mommy eu gosto, os outros acho fracos (Amores Imaginários é meia-boca, enquanto Eu Matei Minha Mãe e esse novo são pavorosos). Fico impressionado com a capacidade que ele tem de pegar um elenco maravilhoso e fazer com que eles pareçam amadores. Acho que eu exagerei um pouco, mas todos estão bem aquém do esperado, né. Só sei que ao fim do filme eu saí do cinema com dor de cabeça de tanto ouvir o Vincent Cassel gritando. Detestável esse filme hahah

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  4. Belos comentários, Pedro. Tenho problemas com cineastas que se levam muito a sério, têm ambições enormes, mas não conseguem imprimir um olhar particular para o que filma – vem daí minha preguiça com o Villeneuve. Já sobre o Dolan… ‘Mommy’, pra mim, também é o menos pior, mas há noto escolhas visuais muito imaturas no filme. A ideia de filmar com uma telinha estreita só para, num determinado momento da trama, “abrir” a imagem, por exemplo, é um truque superficial, pueril, que não me convence.

    Lerei ao menos alguns trechos do seu comentário na próxima edição.

    Abraço!
    Tiago

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  5. Thiago, um outro questionamento.

    O que é o olha particular em uma direção?

    Pode ser pedante, mas, como não acredito no particular (baseio-me em Foucault, o cara que matou o sujeito, para ter esta perspectiva), fico a indagar-me sobre a particularidade (aquilo que é característico da direção de determinado diretor).

    Abraços!

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    1. Na verdade eu estava tentando falar sobre algo bastante mais simples: como o olhar ao artista se manifesta na obra que ele cria? Há cineastas que mostram esse olhar de maneiras muito claras, de tal forma que conseguimos identificá-los imediatamente na construção dos filmes (caso do Sang-soo, por exemplo, ou do Verhoeven, do De Palma, do Woody Allen, do Almodóvar, do Spielberg). Há outros que fazem isso de maneira mais sutil, nos temas que decidem abordar e no posicionamento em relação a eles (Ken Loach, digamos). São vários os caminhos, enfim.

      Mas, como você não acredita no particular, nada disso fará sentido, acho.

      Abs!
      Tiago.

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  6. Tiago,

    Faz sentido sim!

    Até por que eu já acreditei nas particularidades durante muito tempo. Aquela história de essência, que faz você (entenda nós) capaz de identificar o artistas pelos traços dos planos e/ou diálogos que pertencem quase exclusivamente ao seu universo (costumamos a dizer: este é um cinema do Allen, Tarantino, Spielberg, Park Chan-wook, Kiarostami, Burton, Verhoeven, Shyamalan e etc.). Contudo, devo confessar, as leituras do Michel (que não é o Simões rs…) Foucault, de modo especial a Arqueologia do Saber, Quem é o autor, A Ordem do Discurso e As palavras e as coisas, movimentaram a questionar a essência (a particularidade é bem isto), o autor, as representações e outras coisas mais que costumamos a adotar (quase) como verdades absolutas.

    Enfim, divagações de alguém que não curte o cinema como fórmulas, mas que também põe em questionamento os traços essencialista que atribuímos a determinados diretores.

    Abraços e obrigado pelo retorno…Continuo acompanhando o excelente trabalho de vocês.

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    1. É uma discussão muito boa. Acredito que análises de filmes à luz de Foucault podem ser bem interessantes e, se você questiona todos esses conceitos, certamente verá obras de arte de uma maneira diferente da que eu, por exemplo, vejo. Deve ser um pouco entediante ouvir o podcast, certo? Hahaha. Nossa tentativa é a de gravar conversas informais e leves sobre cinema, mas, particularmente (ops), acho que todo tipo de discussão sobre o tema pode ser muito proveitosa.

      Abraço
      Tiago.

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  7. Boa discussão! Já que o papo foi diretores com marcas próprias (o que falta a Denis Villeneuve), vocês consideram o Dolan como um diretor que tem a sua própria marca? Eu acho que sim, e por isso tendo a reconhecer seu talento. Não sou um grande fã, mas admiro sua abordagem. Quando vejo um filme do Dolan sei que estou vendo um filme do Dolan. Acho que o cinema de Dolan se identifica muito com os conflitos de uma nova geração burguesa hipster mimada. Pode ser irritante, mas encaro os exageros de linguagem em sintonia com os personagens mimados, a aborrecência e o tom sempre over. Eu adorei a cena citada de “wonderwall” em Mommy justamente por ser brega e óbvia. As pessoas são bregas mesmo, e há sinceridade nisso. É como se as pessoas falassem: choro escutando wonderwall e não tenho vergonha disso. É libertador. E é justamente por isso que adoro De Palma. Adoro as cafonices estampadas em Dublê de Corpo ou Vestida para Matar. É sincero: copio Hitchcock mesmo! Deixa o pobre Dolanzinho copiar a nouvelle vague.

    Tiago, era fã dos seus textos sobre música no “meu nome não é superoito”. Havia essa sinceridade neles!

    Abs! Muito bom podcast de vocês!

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    1. Comparar os filmes do Dolan com meus blogs foi um golpe baixo, Felipe! Hahaha. Mas entendo. Minha tendência é admirar os cineastas supersinceros (Linklater, por exemplo), mas, no caso do Dolan, o que me aborrece são os artifícios que ele usa. Além de não me sensibilizar, me parecem primários, como se ele colocasse na tela a primeira ideia que vem à cabeça, sem pensar no quão óbvia ela é. Mas, respondendo a pergunta: sim, o Dolan está tentando, filme a filme, forjar um estilo e é um cineasta que, sim, tem um ‘olhar’ claro para o cinema e para os temas que filma.

      Abraço!
      Tiago

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  8. Tiago,

    Entediante #SQN… Podcast de vocês é de longe o mais bacana que conheço. Sem muitas firulas, informalidade com informações interessantes e com discordâncias entorno dos filmes. Acho muito bacana. Acho que o chato sou eu… rs… Até terça!

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  9. Top 10 Brian De Palma
    1 – Um Tiro na Noite
    2 – O Pagamento Final
    3 – Trágica Obsessão
    4 – Dublê de Corpo
    5 – Vestida Para Matar
    6 – Scarface
    7 – Femme Fatale
    8 – Os Intocáveis
    9 – Carrie, a Estranha
    10 – Irmãs Diabólicas

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  10. Ouço o podcast desde janeiro, e este foi o primeiro que não ouvi até o final. Depois da parte do De Palma, parei. Estava muito amargo e sério desde o início. Respeito a opinião sobre Villeneuve, mas não concordo que Incêndios seja um lixo, e Os Suspeitos o pior filme do ano. Talvez eu não tenha sensibilidade e cultura para perceber a ruindade de Villeneuve, de Nolan, de Iñarritú e outros. Talvez eu não seja o público alvo de vocês.
    Acho importante ouvir opiniões diferentes e discordantes da minha, por isso ouço este podcast, por apreciar e respeitar as opiniões de vocês (apesar de discordar), mas desta vez fiquei surpreso com a ferocidade dos adjetivos.
    Escrevo com muito respeito a vocês, apenas para passar um sentimento particular sobre este episódio, que destoou dos anteriores. Continuarei gostando muito do Villeneuve, de Nolan, de Iñarritú, e também tentarei continuar a ouvir este podcast. Acho que é possível viver num mundo assim, de opiniões diferentes.

    Abraços !

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    1. Oi, Eduardo. Muito bom você ter feito esse comentário. Também fiquei com a impressão de que o episódio soou um pouco amargo, apesar da nossa tentativa de (como sempre) deixar o papo fluir com leveza e humor.

      Talvez isso tenha ocorrido pelo fato de termos falado sobre diretores que não nos agradam. Isso é sempre complicado. Nesses casos, o papo fica mais ríspido e nós três acabamos parecendo impacientes. Sinto que, quando criticamos os diretores de que não gostamos, os ouvintes que admiram a obra deles também podem acabar se sentindo atacados. Se isso ocorreu com você, peço desculpas. Não era a intenção do podcast.

      Sempre disse e repito: quanto mais diferentes as opiniões, mais interessantes são as conversas. Teria sido interessante, no episódio, conhecer opiniões de pessoas que gostam do Villeneuve ou do Dolan. Nada errado nisso. Mas não foi o caso e, por isso, a conversa azedou.

      Siga ouvindo, ok?

      Abraço!
      Tiago.

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